Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Compulsões

A verdade é que eu sou dada a vícios. Não à droga, nem ao tabaco, nem a nada que socialmente faça de mim uma besta. Agora estou numa fase de consumismo (apesar do meu limite me salvar de comprar mt coisa que nem ia gostar qd chegasse a casa). Da mesma maneira que me entupia de comida sou capaz de estar horas a ver lojas, até deixar de divertido, até ter dores de cabeça e continuar a ver coisas. preciso de corrigir a situação, já sei o suficiente para reconhecer que estou a ficar obsessiva, quando começo a sentir que preciso de continuar à procura de algo, quando não consigo parar com essa procura. O auto-limite financeiro ajuda-me a não me causar danos à minha conta bancária, mas não me impede o sentimento de aflição da procura, da insatisfação posterior.

Não quero parecer dramática, sei que não me estou fora de controle, sei que parcialmente se deve a factores relativamente aos quais não posso fazer nada, só sei que neste momento me apetece:

Comprar um pouco de tudo: cremes, maquilhagem, sapatos, acessórios, roupas, eletrodomésticos, decoração, bricolage...quero sentir que não me falta nada -e não falta, eu não quero ser nenhuma boneca, nem precisava mesmo da chaleira de 100€ quando bebo chá todos os dias aquecido no microondas do qual nunca reclamei (felizmente estava acompanhada e não comprei a mesma). Enquanto estiver dentros dos limites da vanidade não me há grande dano, certo?
Empanturrar-me de comida: sabem aquela vontade de saírem, irem comprar um bolo de cada de tudo o que houver na pastelaria e ir para casa comer tudo? não? parabéns! Era assim que me sentia há uns anos atrás, e é assim que me sinto agora todos os dias, só que sem meter a comida na boca.

Fazer exercício até cair: recordo-me de a luna leve ter dito que o médico que a acompanhava por causa da bulimia e depressão lhe recomendou "muito exercício", obviamente a definição de muito é imprecisa, no meu caso muito exercício seria até começar a sentir vómitos.

Tenho de verificar se deixei as coisas fechadas - mala verifico mais de uma centena de vezes ao dia, chego a voltar a subir 4 andares de escadas p ver se fechei mesmo a porta que abanei, empurrei, meti a chave de novo para ver que estava trancada mesmo a porta, etc.

Outras que não vou falar aqui por terem cariz demasiado pessoal para blog público.
Eu creio que não aprendi a respeitar limites naturais : já me queimei, causei traumas labiais, hematomas por persistência que a maioria das pessoas teria parado da dor física, e que eu tinha de continuar porque parar não era opção.

A minha única evolução nos últimos anos é na prevenção das minhas "vontades" serem auto-destrutivas e na correcção de estragos anteriores. Não consigo mudar este mecanismo de "craving". Há sempre algo que não consigo tirar da cabeça, algo que me promete fazer a vontade passar. Só que sei que nunca passa, não posso viver sem comprar nada (só se designar alguém para me fazer as compras essenciais...ridiculo), sem comer, sem beber, sem fazer exercício, sem sair à rua, etc.

O pior? é que eu me sinto mesmo bem, mas de uma maneira muito má. Ninguém se refere a mim como infeliz neste momento de certeza, pareço bem por fora, estou-me sempre a rir, eu própria me venero neste momento se for preciso (lol). Simplesmente continuo a sentir que preciso de ser consertada.

A única solução que tenho para isto é mesmo:
  • limites económicos
  • limites alimentares
  • limites para não me aleijar fisicamente
  • cuidados para não arranjar novas coisas a precisar de conserto. Exemplo: imaginemos que começava a usar base, corrector, e técnicas para mudar aspectos do rosto. As mulheres fazem isso para se sentirem melhor, certo? Eu ia acabar a querer fazer plástica à cara toda. Ia-me sentir mal até a fazer, criar um enorme complexo, apesar de nunca ter tido nenhum problema com a minha cara até à data.
I don't know what to do with myself.

2 comentários:

Papoila

às vezes pensamos que somos as únicas pessoas a ser "anormais"... perco a conta às vezes que volto para trás para verificar se tranquei o carro, verifico email de cinco em cinco minutos (sem nenhuma necessidade...)
Compro coisas estapafúrdias a que não resisto: coadores de leite, novelos de lã bonita, milhentas caixinhas de plástico... e botões! já comprei botões só porque são... bonitos. Só gosto de clips triangulares, anormalidades assim.
Por isso percebo tão bem o teu post: aquela sensação de ter algo profundamente errado e de aparentar uma normalidade radiante.
Ultimamente não tenho gasto balúrdios em inutilidades porque estou com dificuldades económicas... mas sou capaz de comprar uma esferográfica da bic só porque sim...

A verdade é que não chegamos a pesos "jeitosos" do nada: muitas de nós têm tendências compulsivas.Já não comemos muito? então vamos correr muito, comprar muito, jogar freecell até a cabeça doer.
Também eu muitas vezes não sei o que fazer comigo. oh well... we'll survive...

Some random girl

Bem... eu acho que todos temos algum nível de compulsão dentro de nós. Quanto mais ansiosos formos, mais propensos a compulsões nos tornamos. Tens que te lembrar que até há bem pouco tempo tinhas a comida a acalmar esses fortes impulsos, e dizem que normalmente um vício não acaba, é substituido por outro...
Enfim, talvez investir em técnicas de relaxamento ajude? Aulas de yoga, ou algo do género. Não sei.
Eu também sou assim, mas raramente me consigo acalmar com métodos saudáveis. =/

Blogger template 'YellowFlower' by Ourblogtemplates.com 2008